A Grande Depressao Americana by Murray N. Rothbard

A Grande Depressao Americana by Murray N. Rothbard

Author:Murray N. Rothbard
Language: eng
Format: epub
Published: 2013-08-26T04:00:00+00:00


Aproxima-se a crise

Esse era o momento em que ocorria a fase final do grande boom americano, puxado pelo mercado de ações. Se um empréstimo para o mercado de ações não é mais inflacionário do que qualquer outro tipo de empréstimo à economia, ele é igualmente inflacionário, e portanto a expansão do crédito no mercado de ações é tão digno de censura, e do mesmo tipo de censura, que qualquer outra quantidade de crédito inflacionado. Daí o ardiloso efeito inflacionário das declarações de 1927 de Coolidge e de Mellon, que eram os “capeadores” da alta do mercado. Também vimos que o Federal Reserve Bank de Nova York efetivamente estabelecia as taxas de empréstimos em conta margem para o mercado de ações, em cooperação com o comitê monetário da Bolsa de Valores de Nova York: sua política consistia em poder oferecer quaisquer fundos que fossem necessários para que os bancos pudessem prontamente fazer empréstimos ao mercado. O Federal Reserve Bank de Nova York, em suma, usou os bancos de Wall Street para derramar fundos no mercado de ações. A taxa de empréstimos para conta margem, como vimos, ficou muito abaixo dos níveis médios e dos picos de antes da guerra.

Preocupado com o crescimento do boom, e com o aumento de 20% dos preços das ações na segunda metade de 1927, o Fed inverteu sua política na primavera de 1928, e tentou conter o boom. Do fim de dezembro de 1927 ao fim de julho de 1928, o Federal Reserve reduziu o total de reservas em R$261 milhões. Até o fim de junho, o total de depósitos à vista de todos os bancos caiu US$ 471 milhões. Contudo, os bancos conseguiram passar para os depósitos a prazo e até fazer uma compensação excessiva, elevando-os em US$ 1,15 bilhão. O resultado foi que a oferta monetária ainda subiu R$ 1,51 bilhão na primeira metade de 1928, mas esse aumento foi relativamente moderado. (Foi um aumento de 4,4% por ano na última metade de 1927, em comparação com um aumento de 8,1% por ano na última metade de 1927, quando a oferta monetária subiu US$ 2,70 bilhões.) Uma contração mais forte por parte do Federal Reserve – aplicada, por exemplo, por meio de uma taxa “de penalidade” de desconto nos empréstimos do Federal Reserve aos bancos – teria encerrado o boom e levado a uma depressão muito mais branda do que aquela que enfim aconteceu. De fato, foi só em maio que a contração nas reservas teve efeito, porque até então a redução no crédito do Federal Reserve mal conseguia vencer o retorno sazonal da moeda da circulação. Assim, as restrições do Federal Reserve só seguraram o boom entre maio e julho.

Porém, mesmo assim, as fortes vendas em mercado aberto de títulos e a queda nas aceitações tolheram a inflação. Os preços de ações subiram apenas 10% entre janeiro e julho.190 Em meados de 1928, a fuga do ouro foi invertida, e voltou a ocorrer um leve influxo. Se o Federal Reserve simplesmente não tivesse



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